Deus, Terra e Humanidade

"O que está em jogo no mundo não é portanto um mero conflito entre ideologias, mas sim a probabilidade de sobrevivência espiritual da humanidade num mundo onde todas as opções ideológicas díspares e antagônicas se uniram num pacto entre inimigos para varrer da face da Terra o legado das antigas religiões" (Olavo de Carvalho, "O Jardim das Aflições" p. 302)

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Local: Porto Alegre, RS, Brazil

Terça-feira, Maio 18, 2010

Notas sobre um mundo à beira do abismo

Finalmente alguém tomou uma atitude firme contra o festival de ofensas ao Cristianismo.

A cantora pop polonesa Dorota Rabczewska disse que a Bíblia "foi escrita por beberrões de vinho e fumantes de erva" (http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/#292363). Resultado: será processada pelo crime de ofensa aos cristãos e judeus.

Particularmente creio que nem precisava processar a moça. Sou mais a favor da humilhação pública, o desmascaramento impieodoso e uma munição intelectual que derrube por terra (para nunca mais se levantar!!) imbecis que abrem a boca para cagar sobre dois mil anos de História fundados por Nosso Senhor Jesus Cristo.

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O presidente neocomunista da Bolívia, Evo Morales, entregou ao Papa Bento XVI uma carta onde pedia a abolição do celibato e a democratização da Igreja Católica. Em outras palavras: que simplesmente eliminasse uma tradição de mil anos que levou outros mil anos para ser implementada (o celibato) e que nivelasse as decisões de ignorantes às do Espírito Santo e de Jesus Cristo, fundamento último de uma instituição que não é democrática.

O encontro entre Morales e Bento XVI é mais ou menos como o encontro entre um bárbaro e um candidato à santo: há um abismo instransponível entre a ignorânica absoluta de um e a representação potifícia de Deus do outro. O reino deste mundo tem dessas bizarrices.

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Baltazar Garzón, aquele juíz que fez de tudo para colocar o ex-ditador Augusto Pinochet na cadeia, foi afastado de suas funções por ações irregulares nas investigações sobre os crimes da ditadura fascista na Espanha de Francisco Franco. Garzón é o mesmo que negou-se a investigar crimes contra a ditadura cubana, dizendo que não age contra chefes de Estado no poder.

Com Garzón afastado do seu trabalho, o mundo ficou um pouco mais democrático.

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O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, afirmou que irá sancionar a lei aprovada pelo congresso que legaliza o "casamento" gay. Apenas esqueceram de avisar Cavaco Silva de que a união gay não é um casamento, que sua concretização real é impossível pela ordem integral da natureza humana (biológica, mental e espiritual) e que, portanto, é um relacionamento de natureza diferente da união hétero.

Detalhe: Cavaco Silva é considerado um conservador. Para vocês verem até que ponto o mundo está chegando.

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Segunda-feira, Maio 10, 2010

Laicidade uma ova!

A juíza Barbara Crabb, dos EUA, declarou inconstitucional o chamado Dia da Oração no país, comemorado na primeira quinta-feira de maio (http://juliosevero.blogspot.com/2010/05/tribunal-dos-eua-declara-dia-nacional.html). Tendo como pano de fundo a concepção de Estado laico, cujo representante mais antigo na face da Terra são os EUA, a juíza declara o seguinte:

O dia de oração “vai muito além de meramente ‘reconhecer’ a religião, pois seu único propósito é incentivar todos os cidadãos a se envolver em oração, um exercício inerentemente religioso que não atende a nenhuma função secular nesse contexto”, escreveu Crabb. “Nesse exemplo, o governo tomou partido numa questão que tem de ser deixada para a consciência de cada indivíduo”.

Não vou responder a essa juíza que o Estado laico NÃO se mete em religião, mas pelo contrário, a protege e mesmo a estimula como dado de uma ordem social saudável e da qual o próprio Estado depende. Mas prefiro transcrever aqui o comentário sobre a laicidade do Estado proferida pelo professor da faculdade de Teologia da Universidade de Deusto, na Espanha, Juan Luis de León Azcárate:

"...la auténtica laicidad es aquella que reconece, sin necesidad de identificarse com ninguna de sus manifestaciones, la apertura a la transcendencia como una dimensión importante y específica del ser humano. Con otras palabras, la auténtica laicidad es aquella que reconece que la apertura a la transcendencia del ser humano (que se despliega de muchas maneras, no necesariamente confesionales o religiosas) es intrínseca al ser humano, dadora de sentido y portadora de valores positivos. Por esta razón, el Estado y la sociedad, lo mismo que hace con la cultura y otros valores, y sin necesidad de identificarse com ninguna confesión, puede y debe apoyar la atención a esta apertura hacia lo transcendente en la medida en que ésta suponga un autentico desarollo integral de la persona y de todas las personas." *

Será que a dona Barbara é capaz de compreender que a dimensão humana é constituinte do Estado, e que o Estado NÃO pode ser gerido por uma moralidade que seja necessariamente cindida da condição humana?

Pouquíssimas vezes eu leio espanhol por pura falta de costume e temor de incompreensão, mas não imaginava o tesouro que se encontrava enterrado do outro lado do Atlântico.

* texto disponível no periódico Religión y Cultura, Madrid, 2007, volumen LIII, pag. 21-46.

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