Deus, Terra e Humanidade

"O que está em jogo no mundo não é portanto um mero conflito entre ideologias, mas sim a probabilidade de sobrevivência espiritual da humanidade num mundo onde todas as opções ideológicas díspares e antagônicas se uniram num pacto entre inimigos para varrer da face da Terra o legado das antigas religiões" (Olavo de Carvalho, "O Jardim das Aflições" p. 302)

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Local: Porto Alegre, RS, Brazil

Sexta-feira, Abril 16, 2010

Jesus Cristo sabe o que (e como) fala

Num dos diversos debates que ocorrem pelo Orkut, um usuário criou um tópico cujo título era: "Jesus Cristo 'errou'"? (Reparem que as aspas são muito importantes e denotam respeito à Sua pessoa.) E a pergunta era a seguinte:

"Jesus Cristo "errou" quando disse Pai?

É lógico que Jesus estava limitado pela capacidade de compreensão das pessoas na época, mas quando ele diz Pai, ele não está dando forma a Deus?"


Eis o que eu respondi:

"Bom, em primeiro lugar Cristo é o filho literal de Deus, porque a concepção virginal de Maria só foi possível pela infusão da gestação Nela mesma. Deus gerou Jesus Cristo junto com Maria, exatamente como um pai e uma mãe geram um filho. O meio de gestação foi o Espírito Santo.

Agora, há outro problema: Pai é, de fato, um termo limitador, por assim dizer. Cristo, sendo o Verbo encarnado, sabia por condição divina que a retórica humana é limitação frente à essência das coisas e da realidade. "Pai" carrega muito mais do que a mera forma: é um símbolo que remete diretamento ao Gerador, à Origem, ao Princípio, o Alfa e o Ômega, enfim, de onde tudo provém.

Cristo não precisava ter uma linguagem complexa para chegar à pessoas. Se fizesse isso atrapalharia Sua missão. Basta[va] falar com simplicidade. "Pai" diz MUITO mais do que apenas a palavra no sentido literal quer dizer. "Pai" cala fundo na alma do homem comum.

Cristo é "O" cara. Está sempre certo!!!"


Cristo não precisou falar filosoficamente porque Suas palavras eram carregadas de simbolismo de fácil compreensão para o homem comum. Um Cristo filosófico levantaria uma barreira intelectiva entre Ele e os homens afastando os corações opostos sedentos de união, além de ter como potencial consequência a criação de um espaço para um conhecimento esotérico contrariando diretamente Seu ensinamento que diz: "Nada vos ensinei em segredo".

Cristo não é apenas "O" cara: ele é a Palavra, sempre certa, perfeita, profunda e Fundamental.

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Segunda-feira, Abril 05, 2010

A Virgem sabe o que fala

Quando a Santíssima Virgem Maria envia, através dos membros do Grupo São José, suas palavras inspiradas, seu conteúdo provém de uma dimensão que abarca a totalidade da dimensão humana e o que está no para-além. Por definição, essa dimensão é totalizante e conflui na eternidade, a história e a ordem dos Cosmos. A Virgem Maria tem acesso, portanto, a todo o conhecimento e História humanas, não sendo à toa a mulher vestida de Sol que pisa sobre a Lua; a mulher que, acima das poucas certezas luminosas que é a vida humana em meio à escuridão sofrida de sua existência, está coberta pela absolutez da Luz Divina.

A Virgem Maria foi clara ao anunciar, numa dessas palavras, que Jesus Cristo está "vivo e atuante". Estar vivo e atuante não é apenas figura de linguagem, mas a definição do Cristo histórico e atual. Jesus Cristo está vivo e atuante porque, após sua crucificação e ressurreição, Ele não morreu: transcendeu a condição humana para a condição para qual mais tarde foi assumida Sua Mãe. Cristo, histórica e concretamente, transcendeu a dimensão humana direto para a dimensão totalizante, ou seja, a eternidade. Ele não apenas venceu a morte como passou por cima dela, o que permite, lógica e literalmente, que volte no mesmo caminho pelo qual foi ao para-além. Historicamente Cristo está vivo e atuante porque Ele está vivo atuante! Quem passou "para lá" sem morrer, ora bolas, por definição está vivo!

Aí temos uma segunda questão: se Ele está vivo e atuante, então Ele é o internexo real entre a dimensão humana e a transcendência, uma porta aberta entre as duas dimensões. Quando Cristo diz que só se chega ao Pai através Dele não é porque Ele afirma ser o "dono da verdade", mas porque Ele é o Caminho na própria estrutura da realidade, como um túnel ou uma ponte que liga o "lado de cá" com o "lado de lá"; o internexo entre dois mundos. Portanto, Cristo é mais do que o dono da verdade: Ele é a própria Verdade porque liga os dois lados e portanto complementa o mundo humano com a infinitude da transcendência.

Estar vivo e atuante na assumida condição humana também provoca uma última implicação: permite ao homem a capacidade de lidar com seu semelhante divino de igual para igual. Cristo, sendo homem, não pode impor Sua vontade a outro homem por fidelidade à Sua condição humana. O homem comum tem acesso não só a Deus através de Cristo como esse acesso se dá através do mais singelo e humilde contato, exatamente como acontece com seu vizinho, seus pais ou o melhor amigo. O Cristo vivo e atuante é condição necessária para essa contato! Caso Ele viesse "de lá", depois de sua morte na cruz e sem a ressurreição, ele estaria por desvirtuar a condição humana, dando-se o privilégio de fazer o que o homem não pode fazer e, portanto, anulando sua humanidade. Não teríamos uma pessoa divina a quem confiar e nos confortar, mas um Deus abstrato e distante, de amor prometido mas não correspondido, e uma humanidade frustrada e oprimida pela ausência de um internexo real e salvador. Um Cristo assim não estaria vivo e atuante como os demais homens, mas sim como um Deus que estaria acima e não entre nós. Sem o Cristo vivo e atuante o homem viveria sufocado e esmagado pela superioridade divina, de amor distante, frio e irrealizável, afastado da transcendência e com estreito acesso ao "lado de lá", hipertrofiando os acontecimentos de nosso mundo até que sua espiral histórica engolfasse a humanidade na mais completa, absoluta e desesperadora angústia.

Negar o Cristo vivo e atunte é fechar-se a Ele, jogar Deus num lugar distante onde ele não apenas está, e sufocar o mundo convencido de que o Filho de Deus foi uma fábula para enganar os crédulos. O apelo da Santíssima Virgem Maria é mais do que um apelo à abertura à Deus, mas à conversão, e uma conversão verdadeira através do reconhecimento da infinita humildade e misericórida de Deus. Deus é tão misericordioso que, mesmo na capacidade de fazer explodir as galáxias e empilhar planetas, se fez homem, e se impôs o limite de jamais oprimir e mesmo influenciar o livre-arbitrio humano. Tudo pelo amor do homem; tudo para nos ligarmos a Ele. A misericórdia divina é proporcional à diferença dimensional entre a infinitude divina e a finitude humana.

Por isso temos de tratar a Jesus Cristo como nosso simples e bom amigo, não porque ele é apenas isso, mas porque ele está, literal, concreta e historicamente, vivo! Não é mais necessário tentar explanar, através de um pensamento lógico, por que Cristo está vivo e atuante. Basta confiar nas palavras da Virgem, que também é nossa Mãe. Além de Mãe, confiável e amável como toda mãe é, Ela ainda por cima tem acesso direto ao Livro da Vida, exposto na eternidade e onde está imprimida toda a História humana. Realmente, a Virgem Maria sabe o que fala!

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