Deus, Terra e Humanidade

"O que está em jogo no mundo não é portanto um mero conflito entre ideologias, mas sim a probabilidade de sobrevivência espiritual da humanidade num mundo onde todas as opções ideológicas díspares e antagônicas se uniram num pacto entre inimigos para varrer da face da Terra o legado das antigas religiões" (Olavo de Carvalho, "O Jardim das Aflições" p. 302)

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Local: Porto Alegre, RS, Brazil

Domingo, Agosto 23, 2009

FIFA e Blatter cagam pela boca

A FIFA está propondo o banimento da manifestações religiosas durante a Copa de 2010 na África do Sul (http://br.esportes.yahoo.com/noticias/d-sport-fifa-quer-proibir-manifestacoes-religiosas-20082009-82.html).

Sobre a iniciativa, sou curto e grosso: se a probição sair ela NÃO DEVE SER OBEDECIDA! Se eu fosse jogador nessa competição faria do sinal da cruz no meio do campo apenas para afrontar em público essa tirania absurda e sem sentido.

O pessoal da FIFA que pegue essa porca idéia stalinista e a enfie naquele lugar!

Ademais, o presidente da FIFA, Joseph Blatter, fez a seguinte declaração:

"A expressão de fervor religioso dos brasileiros [durante a Copa das Confederações] durou tempo demais e isso acaba causando confusão entre religião de esporte."

Blatter imbecil e ignorante. Desde quando a quantitatividade de uma ação religiosa, por mais fervorosa que seja, cria a confusão entre a religião e o contexto em que ela se insere? O sujeito caga sobre o que não sabe, e desde já deveria saber: basta eu invocar o nome de Jesus Cristo por um segundo que isso pode valer mais do que várias horas de oração sem concentração. Mas não: para a porcaria do sr. Blatter rezar "demais" em público mistura alhos com bugalhos.

Ele sabe muito bem o que fazer com os alhos e os bugalhos, não é, sr. Blatter?

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Leniência às drogas, segundo FHC

Para o excelentíssimo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o combate às drogas é ineficaz. Afinal, é impossível erradicar as drogas do mundo. Portanto, aceitamo-las. Aí está a reportagem: http://www1.uol.com.br/folha/cotidiano/ult/ult95u613085.shtml .

Nos comentários acerca da declaração de FHC no Orkut, um colega comenta: "Nisso ele tem razão [sobre a impossibilidade de erradicar totalmente o consumo de drogas], em todo o caso deixar de combater as drogas ou torná-las legais por elas serem inevitáveis é cinismo político. FHC é um arauto da NOM."

Em vista a esse comentário, penso exatamente o mesmo, acrescentando que não é porque que não dá para erradicar 100% as drogas que vamos parar com o combate contra as mesmas. Vide o exemplo dos assassinatos, que dificilmente sumirão da face da Terra. Por isso vamos aceitar descriminalizar a matança?

Essa mentalidade tende a relativizar todos os males do mundo. Se, em sentido absoluto (que acompanha todo o imperativo moral), o Mal não pode ser eliminado, aceitamo-Lo. A estrutura mental subjacente na idéia de gerico de FHC é essa.

Ademais, a liberação das drogas traz ainda outro problema: liberando-as e lgalizando-as, automaticamente a classe de traficantes e criminosos entrará para a legalidade. É o moderno vício de tornar moral tudo o que é legal. Essa coisa, isso sim, é a moral do Satanás.

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Quinta-feira, Agosto 20, 2009

Piada totalitária

A Rede Globo não perde a oportunidade de botar combustível em toda e qualquer idéia politicamente correta, em especial se essa idéia for de caráter ambiental e de saúde. Aquecimento global, uso da água, economia de energia (e o aquecimento por tabela), emagrecimento, doenças, doenças e doenças, nada escapa à máxima da emissora de "educar" o povo para um futuro melhor que, se colocado em prática, levará ao inevitável sufocamento do dia-a-dia e atrofiará a vida humana numa tirania jamais vista.

Pois a Globo não perdeu a oportunidade de recomendar, por meio de uma reportagem do Jornal Nacional, a economia de água através... do ato de urinar no banho (http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1123787-10406,00-FAZER+XIXI+NO+BANHO+AJUDA+A+PROTEGER+A+NATUREZA.html). Isso mesmo! Não queres gastar a água da descarga? Mija no banho, porra!!!

A notícia foi classificada como "ecobabaquice" pelo site Midia@Mais (http://www.midiaamais.com.br/cultura/1012-ecobabaquice) e foi anunciada em tom jocos no (vejam só) politicamente corretíssimo The New York Times (http://www.nytimes.com/aponline/2009/08/05/world/AP-LT-ODD-Brazil-Urinate-in-Shower.html?_r=1).

O problema desses novos costumes não está no ato de economizar água ou seja lá o que for, mas na sobreposição de diversos atos muitas vezes contraditórios, em excessivo número, e pior, colocados como um "fundamentalismo cientificista" característico de toda a estrutura de pensamento de ordem politicamente correta. O pensamento politicamente correto não se define como uma moral inspiradora, mas um catecismo do certo e do errado. Todas as atitudes humanas são colocadas no preto e no branco, "cientificamente", com todas as demais variáveis da vida subtraídas do raciocínio. Em outras palavras: a complexidade da vida é ignorada em nome de uma moral de causa e efeito, e o acatamento de todas as normais politicamente corretas só pode resultar num auto-sufocamento da vida e na construção de uma cultura totalitária. O politicamente correto na ordem ecológica, de saúde, vocabulário e costumes ajuda, com as pequenas coisas, a construir uma tirania monstruosa muito mais aberrante do que o tão criticado moralismo religioso.

Mal sabe a sociedade que o consumo da água esconde um importante detalhe: apenas 10% do consumo mundial é gasto no uso doméstico. Do restante, 20% do consumo é para uso industrial e a esmagadora maioria, 70%, para uso agrícola.

A economia de água pode até ajudar a preservar os recursos hídricos, mas não irá salvar aquilo que não é "salvável", por assim dizer. Se o consumo de água aumenta, bem como a população com acesso a ela, isso tornará o produto mais caro. Portanto, a água jamais vai acabar, mas vai ficar mais cara. Antes de pensar doutrinarmos no "certo" e no "errado", cabe lembrar o que a teia da vida tem a nos dizer com isso. Será que vale à pena listarmos tudo o que devemos ou não fazer no dia-a-dia sem o senso de inspiração cultural e espiritual que é característico de toda a moralidade? Na época de covardes em que vivemos fugimos de nossa reflexão interior para apegarmo-nos ao mais bobo e estúpido catecismo de valores pré-fabricados , sejam eles colocados numa panfletagem de esquina ou na mentalidade pasteurizada da Rede Globo.

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Um apelo ao retorno

Se confiamos tanto na chamada ciência, no relato do próximo, no comentário mais absurdo que vemos na TV, então por que não confiamos nas boas pessoas, nas de honroso caráter e nos santos?

Por que não confiamos nem mesmo nas visões, relatos místicos e aparições da própria Virgem Maria? Será que Deus tem que gritar, literalmente (isso mesmo, literalmente, de carne e osso, dentro do espaço-tempo), para ser ouvido? Será que os fatos não falam por si? Será que já não basta a morte de MAIS DE 200 MILHÕES DE PESSOAS para que a Virgem Maria seja ouvida? Terão de morrer mais? Terão de desaparecer povos e nações inteiros para que a Palavra divina venha a tocar os corações? Terá de sobrevir tragédia maior que os totalitarismos, os genocídios e as grandes guerras somadas?

A purificação espiritual de TODA a humanidade não é gratuíta, mas espiação estritamente necessária para a felicidade. Se o homem insiste em afastar-se da fonte primeira que dá origem à vida, à ordem, à inteligência e à razão de ser das coisas, apenas lamento, porque o sangue continuará a ser derramado indefinidamente até a Terra inteira resumir-se a um planejamento satânico de final sem sentido.

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Quarta-feira, Agosto 19, 2009

A memória de Deus

Quando oro à Deus pedindo para aumentar as potências de minha mente (inteligência, memória e vontade) para saber julgar o conhecimento humano e a realidade à luz da sabedoria divina, não por acaso tenho relances e insights que clarificam minha vida e a realidade vivente.

Pois agora a pouco tive mais um desses belos momentos, e pude compreender um pouco mais do por que das coisas e de nossa eterna caminhada rumo ao Paraíso.

Toda a memória e conhecimento humano não estão depositados fundamentalmente em nossa pessoa. O que está aqui um dia deverá dissolver-se no final da vida, mas tudo o que fizemos, deixamos de fazer e o que sabemos ficará para a eternidade. Essa idéia está expressa pelo filósofo Olavo de Carvalho no seu programa de rádio na internet datado do dia dia 17 de agosto de 2009 (http://www.blogtalkradio.com/olavo/2009/08/17/True_Outspeak) a partir dos 40 minutos de programa.

Toda a memória humana está retida no próprio Deus. Finda a vida, somos absorvidos pela eternidade, e toda nossa identidade histórica (aquilo que está "irrevogavelmente guardado", como dizia Viktor Frankl) é confluida num ponto perene e autoconsciente. Daí em diante Deus faz o que deve ser feito: retira ou mantém em nós aquilo que Ele considerar justo, carregando-nos ou não para o Paraíso. Por isso que, na eternidade, temos de encarar a nós mesmos em plenitude segundo aquilo que Deus nos apresenta. Deus não apenas retém nossa memória como nos retém em Sua memória, que é a memória de Deus, o Livro da Vida! Por isso o filósofo fala que "O que mantém a nossa identidade é a memória divina, e não a nossa memória".

Deus como depositário da memória do homem traz uma outra consequência: Ele é a fonte de todo o conhecimento e acontecimento. A onisciência divina é a fonte infinita de tudo o que o homem é e sabe, e isso ajuda a explicar os insights como o que relatei no início do texto. A sensação de "ter uma luz" ou "cair a ficha" só é possível através de um salto qualitativo da inteligência. A queda da ficha é o ato de intelecção por excelência. Em outras palavras: o intelecto humano intelige, e o ato de inteligir só é possível porque o novo conhecimento adquirido provém daquilo que se chama de intelecto primeiro. O intelecto humano não pode criar conhecimento por si, mas sim questionar o o quê das coisas e, daí, os comos, por quês, quandos, etc. O intelecto primeiro é o intelecto perene, maior, fundamental, eterno e, portanto, onisciente. Ele é a qualidade do Deus inteligente que provê ao homem o conhecimento segundo a Sua vontade. Por isso que o desejo sincero de conhecimento, seja ele feito por esforço, amor, oração ou por todos eles juntos, permitirá ao homem o conhecimento da realidade por uma infusão intelectual. Desde "fora" nosso intelecto recebe a marca que nos é devida. Deus dá conhecimento ao homem. Basta pedir com sinceridade e amor à Verdade.

Quando entro na experiência mística da oração posso perceber não só a integralidade do meu ser rebatido no campo absoluto da eternidade, como também essa percepção só é possível porque seu conteúdo não está em mim, mas no próprio Deus. Deus é a eternidade e, portanto, o depositário de minha pessoa. A diferença da mística com relação à vida após a morte é a capacidade de vermos a nós sem passarmos pelo julgamento divino. Depois da vida estaremos limpos de todo o nosso mal, caso Deus assim considerar justo. Retirado de nossa memória tudo o aquilo que não deveríamos ter sido, Ele abre-nos o caminho ao Paraíso.

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Sexta-feira, Agosto 14, 2009

Amor, ordem e moral divina

Uma das mais belas sensações que tenho no dia-a-dia é quando entro no sentimento de certeza da realidade, numa conexão mística que dá segurança, beleza e clareza na relação do eu com o mundo. O sentimento resultante são uma êxtase e paz profundos, colocando todos os nossos problemas à esperançosa luz de que um dia tudo será resolvido.

A forma mais comum de eu ver isso é a lembrança de que eu não posso encontrar-me com Deus cara a cara, como popularmente comentamos, mas que me encontro imerso Nele e que, portanto, a realidade à minha volta (e eu mesmo) faz parte da perfeita ordem que Ele representa.

Acima de tudo, Deus não é poder, mas amor. Por isso a ordem circundante é tão bela. Quisera Ele mostrar-se poderoso e o sol explodiria, as estrelas se apagariam, as galáxias seriam jogadas umas contras as outras, os continentes se empilhariam uns sobre os outros e o tempo correria para frente e para trás como uma fita cassete. Mas não. Nada disso ocorre. O Cosmo e a realidade espaço-temporal são ordem. A ordem é, portanto, o reflexo moral do próprio Deus e o nosso fundamento moral como seres humanos. O princípio ético mais profundo que nos norteia é a obediência dócil para com a realidade representada pelo mandamento máximo "Amarás a Deus sobre todas as coisas". Em resumo: se estamos Nele, quer dizer que a realidade à minha volta é o próprio Deus. O amor a Ele pressupõe não apenas o maravilhamento e respeito para com suas obras, mas a vivência concreta da realidade presente.

Deus é amor, a ordem cosmológica é sua representação moral e o amor a Deus é o respeito concreto por tudo o que Ele é.

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Sábado, Agosto 08, 2009

Um encontro na eternidade

Há uma frase que diz que a eternidade é a posse simultânea de todos os momentos. O momento, por definição, não é um fluxo, mas um ponto infinitamente pequeno no transcorrer do tempo. Há infinitos momentos num espaço de tempo, seja ela qual for.

A eternidade conflui todos os momentos, portanto, todo o tempo numa condição perene. A linha histórica esmaga-se num único ponto, tornando toda a História simultaneamente presente. Na condição espaço-temporal, é como se o tempo estivesse congelado num "fim da História" onde o fim nada mais fosse do que o momento em eterna permanência. Chegando com o dia do Juízo Final, o fim da História só é realizável, portanto, na eternidade. Ele não pode ser feito aqui e agora, mas apenas na transposição do tempo no para-além. O imanente só se torna pleno e absoluto no transcendente.

Minha experiência em oração nas reuniões do Grupo São José tornaram a perspectiva da eternidade o palco do Juízo Final. Não cabe aqui interpretar ou fazer elocubrações sobre o Apocalipse bíblico e sua visão popular do fim do mundo (há uma mania geral de tratar o Apocalipse como um fim intramundano, onde a realidade concreta é destruída para abrir espaço a uma nova realidade concreta), mas sim de relatar a experiência de relação com a transcendência.

Porém, qual é a importância da abertura para a eternidade, seja através da contemplação, da oração ou de qualquer forma de mística?

A identidade humana é formada através de nossa História. Somos aquilo que fomos desde o nascimento até o presente momento, portanto, tudo o que fomos através de um acontecer histórico. Ao transpor a História na eternidade, a linha de tempo conflui num ponto único, tornando simultânea a posse de todo o ser. A nossa História pessoal torna-se um momento perene, e o ocultamento de todos os nosso erros e medos torna-se impossível. Aí podemos enxergar "de frente" o que realmente somos, sem qualquer véu que oculte nossa identidade. Em outras palavras: na abertura para a eternidade, todo o nosso eu esmaga-se num momento único, perene e autoconsciente. A eternidade obriga a nos encararmos em plenitude, tornando inevitável o encontro com tudo o que fizemos ou deixamos de fazer. Estamos presentes no tribunal cujo Julgamento permite a contemplação absoluta de nossas atitudes e o arrependimento sincero de nossos erros. Encotramo-nos nus e crus perante a transcendência, tornando nossa vida uma Verdade Absoluta totalmente plena e consciente da qual não podemos escapar.

Podemos compreender o encontro conosco através da idéia de transitoriedade e sentido da vida analisada por Viktor Frankl. Na obra Em Busca de Sentido, Frankl afirma que a vida é feita de escolhas, e que cada escolha apresenta-se como uma potencialidade que pode ser ou não levada em ato. Temos aquilo que fazemos e deixamos de fazer. Ao questionar sobre o sentido da vida, Viktor Frankl afirma que a pessoa

"...não deveria perguntar qual é o sentido da vida, mas antes deve reconhecer que é ela que está sendo indagada. Em suma, cada pessoa é questionada pela vida; e ela somente poderá responder à vida respondendo por sua própria vida; à vida ela somente pode responder sendo responsável. Assim, a logoterapia [escola fundada por Frankl] vê na responsabilidade a essência propriamente dita da existência humana."

A responsabilidade humana pelos próprios atos segundo os caminhos que a vida lhe indaga é o que forma nossa identidade. Nisso está o caminho escolhido pelo indivíduo na formação de sua História. Sobre a transitoriedade da vida, Frankl afirma:

"Nunca me canso de dizer que os únicos aspectos realmente transitórios da vida são as potencialidades; porém no momento em que são realizadas, elas se transformam em realidades; são resgatadas e entregues ao passado, no qual ficam a salvo e resguardadas da transitoriedade. Isto porque no passado nada está irremediavelmente perdido, mas está tudo irrevogalmente guardado."

"Nada pode ser desfeito, nada pode ser eliminado; eu diria que ter sido é a mais segura forma de ser."

Novamente, somos o que somos pelo o que fizemos baseados em nossas escolhas. O encontro com o eu é a iluminação autoconsciente do que está "irrevogavelmente guardado", e tudo será retirado da gaveta ao confluirmos nossa História no encontro com a eternidade.

A condição humana torna necessária a análise de nossa História e, portanto, do nosso eu. Se autoconsciência sobre o que somos ou deixamos de ser não vier na temporalidade da vida terrena, virá inevitavelmente na eternidade. É estritamente necessário encarar os próprios erros e acertos numa vida que questiona unicamente a nós, caso contrário teremos de encarar nossas responsabilidades mais tarde. A transitoriedade da vida se concluirá na imersão do eterno, e aquilo que está irrevogavelmente guardado não poderá mais ser colocado às escondidas de nossa própria consciência. A eternidade NÃO é para covardes.

Nossa responsabilidade para conosco é inevitável e está unicamente em nossas mãos. Por isso compreendo a experiência mística que tenho na oração em grupo: o escancaramento pleno e consciente do meu eu torna simultânea a beleza da Verdade e o arrependimento do pecado. Ver a si em plenitude é ver tudo o que se fez ou deixou de fazer; é ser a "forma mais segura de ser" através da conscientização do que está "irrevogavelmente guardado". A abertura para com a eternidade exige a coragem de ver os próprios erros, caso contrário o contato com o para-além torna-se impossível! Não há como contemplar a face divina sem contemplar o seu eu em plenitue. Aceito o desafio, entramos na êxtase da Verdade absoluta e no mais puro arrependimento, tornando o rolar das lágrimas inevitável. É só através da eternidade que compreendemos a infinitude do amor divido: podemos maravilharmo-nos com toda a Verdade ao mesmo tempo que temos dada a chance de corrigir o que somos para sermos o que devemos ser.

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Segunda-feira, Agosto 03, 2009

Anamnese - brevíssimo comentário

Recém comecei a ler o livro Anamnese, do filósofo Eric Voegelin.

Confesso que a obra ainda está um pouco além da minha compreensão, mas, de cara, graças à introdução do editor à obra, chamou minha atenção a chamada filosofia da consciência do autor. A condição humana de tensão entre a temporalidade e a eternidade permite o acesso da consciência à condição atemporal. Em outras palavras, podemos remeter nossa mente e/ou o espírito à alçada da trasncendência e ali ter acesso à realidade, abstraída a condição do espaço-tempo. Sendo ainda mais sucinto: acesso à Verdade nua e crua.

Claro, recém comecei a ler a obra, mas tudo indica que tem muito à constribuir às questões existencias, místicas e religiosas.

Daqui a (várias) semanas, quem sabe, faço um comentário mais acurado.

Abençoado seja N. S. Jesus Cristo.

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