Hoje assisti à mais um encontro mensal do Grupo São José de Porto Alegre. Poderia falar muito sobre tudo o que foi dito lá, sobre o trabalho de libertação (carisma do grupo), as canções de louvor, a mística, o público, etc, etc, etc. Mas hoje é por demais necessário centrar-me em um comentário: segundo as mensagens do próprio Cristo recebidas pelo grupo, o mundo está em purificação.
Não é a primeira vez que ouço essa afirmação, e provavelmente não será a ultima que ouvirei. Na primeira vez que fui informado sobre a purificação de mundo, imediatamente veio à minha cabeça os morticínios em massa ocorridos no século XX.
O cientista político Rudolph J. Rummel, da Universidade do Havaí, EUA, teve a coragem de baixar a cabeça e estudar a satânica onda de matanças ao longo da História da Humanidade. Utilizando o termo "democídio", definido como a matança objetivamente conduzida por governos, Rummel fez um trabalho minucioso para calcular o número de mortos ao longo de toda a História através desses poderes políticos, e os dados são monstruosamente aterradores. A atenção, porém, deve voltar-se ao sangrento século XX. Segundo o pesquisador, apenas o período entre 1900 e 1999 provocou, sozinho, a morte de impressionantes 262.000.000 de pessoas contra os 133.147.000 de mortos ocorridos entre os séculos III a.C. e XIX.
O governos mataram o dobro de pessoas apenas no século XX em comparação com todo o período humano anterior! Com relação à matança desse século Rummel declara que:
"...se todos esses corpos fossem esticados ladao à lado, com uma altura média de 1,65 m, eles circundariam a Terra dez vezes. Também, esse democídio matou 6 vezes mais pessoas do que as que morreram em combate em todas as guerras internacionais e civis nesse século. Finalmente, dada as estimativas de um suposto confronto nuclear, esse democídio equivale ao acontecimento de uma guerra desse gênero, porém com as mortes ocorrendo ao longo de um século." (
http://www.hawaii.edu/powerkills/).
É absolutamente impossível que parte da humanidade ou mesmo a humanidade inteira passe incólume à esse interminável derramamento de sangue. Os efeitos concretos de tanta matança em um período curto de tempo tem efeitos práticos imediatos, despovoando parte do planeta e paralisando as atividades humanas; em seguida há os efeitos psicológicos: traumas, lembranças doloridas, sofrimento de parentes e amigos mortos, culturas dilaceradas e distorcidas pelo trauma das matanças, levando ao questionamento de valores e príncipios morais que regem os povos ao redor do globo, e; enfim, talvez o mais grave: os mais de 250 milhões de mortos se vão, mas seu espíritos ficam à espreita de uma humanidade enfraquecida, traumatizada e dolorida. Morta a pessoa, seu espírito no para-além passa a influenciar as vidas nesse mundo e influencia, para o bem ou para o mal, os rumos das coisas em nosso dia-a-dia. A matança de tanta gente leva a crer que tantos mortos passam a agir em peso junto às pessoas que aqui ficaram, tornando imediatamente necessária a libertação espiritual de várias centenas de milhões de pessoas. Muitas mortes em tão pouco tempo "pesam" demais naqueles que aqui permaneceram.
Não é à toa que Nossa Senhora tem aparecido aqui e ali ao redor do mundo. Acompanhando um pouco a histórias de suas aparições disponíveis em inúmeros
sites na internet, logo pude perceber, de modo geral, um aspecto das aparições: nunca Maria apareceu tão frequentemente como nos séculos XIX e XX, com destaque ao maior milagre de todos os tempos, o de Fátima, onde 70 mil pessoas, outrora sob chuva, viram suas roupas instantaneamente secas e o sol dançar sobre suas cabeças durante um longo período. O milagre de Fátima condiz com a perfeição e onisciência divina: o maior dos milagres veio anunciar a maior das tragédias. Sem citar nomes, a Virgem profetizou a ascenção no nazismo e a consequente 2ª Guerra Mundial (aproximadamente 50 milhões de mortos), à ascenção do comunismo na Rússia e, daí, espalhando-se pelo mundo com sua matança e tirania, destruindo nações inteiras (148 milhões de mortos;
O Livro Negro do Comunismo é mais "generoso" e coloca a cifra na casa dos 100 milhões), e o atentado contra João Paulo II (simbolicamente apontando para os ataques contra a Igreja e o Cristianismo como causas e evidências de um mundo em vias do caos).
Maria esteve em Fátima alertando para as maiores matanças de todos os tempos, esteve como a Rosa Mística e La Sallete para alertar da queda da Igreja (muitos comentários e análise sobre a infiltração do comunismo e de sociedades secretas na Igreja podem ser conferidos no site do filósofo Olavo de Carvalho -
http://www.olavodecarvalho.org/ - e da organização católica Montfort -
http://www.montfort.org.br/), esteve em Ruanda para alertar da matança que veio a se consumar em 1994, onde 1 milhão de pessoas morreram em menos de 4 meses, e esteve em vários pontos da Américas e da Europa para pedir para que as pessoas orem com profunda fé e devoção para a reconversão de tantas pessoas que se afastaram a Igreja e para o reordenamento da humanidade.
A Europa, fonte das maiores desgraças da humanidade, donde veio o fascismo, o nazismo, o comunismo, o ateísmo revolucionário e o nacionalismo como ideal de união popular, não por acaso é o palco da maior parte das aparições de Maria. A França, contraditoriamente autoproclamada "revolucionária por tradição", não só deu o pontapé inicial para a ascenção fantasmagórica do poder do Estado, sem o qual os democídios contabilizados por Rummel não seriam possíveis, como abriu as portas para que os poderes políticos, reduzindo o horizonte espiritual do homem à dimensão espaço-temporal, viessem mobilizar e a jogar massas de homens uns contra os outros. Como Olavo de Carvalho aponta no livro
O Jardim das Aflições, a infiltração dos poderes do Estado na vida privada usurpa a ordem moral e a responsabilidade individual de seus cidadãos, provocando caos e, por isso mesmo, induzindo as pessoas a clamarem por mais poderes desde cima que arbitrem os conflitos e reestabeleçam a ordem. O Cristianismo, sendo religião voltada diretamente ao coração humano, apresenta-se como o alvo predileto do aumento do poder estatal, já que o homem não pode servir absorver duas morais distintas e servir a dois deuses ao mesmo tempo. Quando Fátima aponta, no seu 3º segredo, a tentativa de assassinato de João Paulo II (cujo assassino estava à mando de governos comunistas), para mim fica evidente que não é "apenas" um evento pontualmente importante, mas um ato simbólico onde os poderes deste mundo, enlouquecidos por sua ânsia de poder, estão dispostos a varrer da face da Terra todo o legado cristão e das demais religiões e colocar sob sua autoridade o horizonte máximo das aspirações espirituais do homem.
O fardo espiritual de tantos rios da sangue torna o trabalho de libertação singularmente necessário. O Grupo São José (que não é so um, mas há vários espalhados pelo mundo), atua não por vontade humana, mas por ação divina. O homem pode contabilizar seus mortos, limpar o terreno, reconstruir o que foi destruído e guardar a memória daqueles que se foram, mas não pode, por si só, mexer a sanar as heranças do espíritos. A libertação é como a psicanálise: assim como o paciente deita no divã para revisar a carga emocional passada de pai para filho, o espírito joga-se nos braços de Deus para limpar o peso dos seus antepassados. Por isso Cristo age como nunca entre os leigos (outra declaração algumas vezes repetidas junto ao grupo) para que eles se tornem pontos de luz num mundo manchado pelas trevas e, libertando a si mesmos, consigam fazer frente aos incessantes derramamentos de sangue que assolam o mundo a mais de cem anos. É absolutamente impossível limpar esse mundo "fetido" (sic, nas palavras inspiradas pelo próprio Cristo) sem antes libertar-se de tantas mortes e de tanto sangue jorrado pela Terra. Mesmo que não encaremos nosso problemas aqui e agora, o para-além nos espera para que vejamos, de modo nu e cru, aquilo que fizemos ou deixamos de fazer. Por isso o mundo está em purificação. Ou fazemos nosso trabalho agora, ou lidaremos com coisas piores depois. E longe daqui aqueles que culpam a Deus por esse sofrimento. Pelo contrário: Ele próprio dá ao homem, aqui e agora, a chance de libertar a si através da libertação de seus antepassados, enviando para o Paraíso os espíritos sofridos no mesmo instante em que nos aproximamos do amor divino.
"A Verdade vos libertará", disse Cristo. Já os poderes políticos, em oposição diametralmente oposta ao Criador, prometeram ilusões que custaram milhões de vidas. As mentiras levam ao inevitável conflito com a Verdade que, cedo ou tarde, irá vencer o combate. Enquanto o homem não abrir mão de suas ilusões, cada vez mais as massas clamarão para que o paraíso na Terra seja construído e cada vez mais exigirão mais poder para que esse paraíso de concretize à revelia da Verdade. Cada vez mais o poder oprimirá e esmagará o homem; cada vez mais vidas e mais vidas serão perdidas na ilusão de uma grande mentira. Quanto maior a mentira, maior a opressão e a escravidão. Mentira
é escravidão e a Verdade
é libertação.
Marcadores: democídio, espírito, Grupo São José, libertação, purificação