Na última quarta-feira de cada mês ocorre uma palestra ao Grupo São José na Igreja Auxiliadora, onde alguns palestrantes apresentam o grupo aos visitantes e falam de seus objetivos, origens e dos elementos espirituais ali trabalhados (podem conferir sobre o grupo em http://www.gruposaojose.cjb.net/ . O Grupo São José é oficialmente reconhecido pela Igreja Católica).
Tomei conhecimento do grupo depois que uma prima de minha mãe - que carinhosamente chamo de dinda - esteve lá, indicando a palestra para pedir ajuda quando o pai de outra prima minha sofreu um sério acidente com fogo. Então, naquele final de abril incomumente frio de 2008, tomei conhecimento da profundidade e da força presente nesse grupo, cujo objetivo maior é libertar as pessoas dos fardos espirituais acumulados por seus antepassados.
Uma das coisas mais impressionantes que tomamos conhecimento no Grupo São José é a crua realidade da ação de Deus do mundo. Deus age por meios misteriosos junto à matéria que compõe o Universo, plástica segundo a Sua vontade, e essa afirmativa causa estranhamento junto ao público reforçando, insconcientemente, a idéia de que as coisas do espírito são uma coisa e razão é outra. Bobagem pura! Se não fosse a razão humana, a fé não teria lógica, que é justamente a evidência concreta de Sua interferência na realidade espaço-temporal. Sobre o que comentam Olavo de Carvalho e Eric Voegelin, a razão humana nasce a partir do momento que o homem passa a questionar sua existência apreendida numa realidade distinta de sua divindade. Em outras palavras: a partir do momento em que a concepção de Deus desagarrou-se das coisas da natureza e passou a permear o para-além propriamente dito. A separação da entidade divina com o mundo concreto levou a inevitável questão de como pode um mundo concreto conviver com uma abstração da divindade, como se uma fosse água e o outro óleo, e obrigou o homem a conceber a totalidade de sua dimensão dotada de aparente vida própria. É como ver a pastagem pegar fogo e, ao invés de justificar o incêndio devido a ação de um deus do fogo, dar autonomia ao fenômeno baseado na relação dos elementos ali presentes.
Apesar de tudo isso dito até agora, há um pequeno problema: Deus continua a existir, porém num para-além. A questão é que a própria dimensão espaço-temporal humana está imersa na trasncendência sendo, portanto, parte constituinte de sua existência, mas ao mesmo tempo separada de sua condição atemporal. Deus age na matéria porque Ele é a própria matéria, além de outras coisas mais. Isso fez o homem criar mais um desdobramento no desenvolvimento da razão: questionar a relação de sua dimensão imanente com a transcendência. Ao acrescentarmos a razão à essa equação, ela só faz sentido quando aceitamos docilmente que não se pode abarcar a totalidade da existência (a espaço-temporal e transcendental juntas), e que, portanto, temos a obrigação lógica de estar aberta aos questionamentos do para-além.
Deus é o elemento que permite o desenvolvimento da razão porque oferece a ela a possibilidade de se desenvolver indefinidamente no mistério insondável da qual ela própria faz parte.Os componentes do Grupo São José são a prova - bem como assim devem ser os demais religiosos - de que Deus é o agente direto por detrás da matéria. A Sua condição subentende onipotência, e se o mundo concreto age como age em nossas vidas é porque, na pior das hipóteses, Deus
permite que assim seja. A ação divina no mundo é especulação necessária e conclusão lógica das experiências vividas nesse grupo ou em qualquer outro que esteja comprometido com a concretude divina.
Os fenômenos religiosos são mais surpreendentes do que imagina a vã opinião pública. Além de derrubar por terra a tola separação fé-razão, as experiências que tenho no Grupo São José sempre me revela suspresas. Hoje tive mais uma delas. É exatamente essa confiança - a fé, portanto - no que está por vir que me permite ver o que a imanência tem a oferecer. Caso contrário eu estaria negando a surpresa que me foi apresentada, impossibilitando-a de apresentar-se frente aos meus olhos.
Antes que possamos explicar os fenômenos temos que aceitá-los para estarmos abertos às suas experiências. É por isso que a fé precede a razão para que depois a segunda confirme a primeira. Para que possamos compreender o mundo é necessário confiar Nele, caso contrário especularíamos sobre abstrações totalmente desconexas da realidade. O que Deus quer do homem é sua confiança. A razão humana é apenas a agradável consequência da inteligência em face ao seu Criador.
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